PROGRAMA

FRANZ SCHUBERT

Quarteto Rosamunde: quarteto de cordas, nº 13 em lá menor, D. 804, Op. 29

Allegro ma non troppo

Andante

Menuetto – Allegretto – Trio

Allegro moderato


 

ROBERT SCHUMANN 

Quarteto de cordas,  nº 3, Op. 41

Andante espressivo - Allegro molto moderato

Assai agitato

Adagio molto

Finale. Allegro molto vivace - Quasi Trio

SOLISTA CONVIDADO

ROMMEL

FERNANDES

Violino

Rommel Fernandes é atualmente o Spalla Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e mantém intensa atividade como solista, recitalista e músico de câmara. Elogiado pela crítica por sua "execução soberba e musicalidade aristocrática" bem como por sua "releitura vibrante, modernista porém elegante" do repertório tradicional, destaca-se ainda como intérprete de música contemporânea, tendo realizado estreias brasileiras de obras de Pierre Boulez (Anthèmes I, para violino solo) e Mario Mary (Aarhus, para violino e eletrônica) entre outros, além de diversas primeiras audições mundiais.

 

Doutor e Mestre em Música com "Honors" pela Northwestern University (EUA) na classe de Gerardo Ribeiro, Rommel frequentou também o Lucerne Festival Academy (Suíça), onde estudou música de câmara moderna e contemporânea com membros do Ensemble Intercontemporain e do Quarteto Arditti.

 

Em março de 2016, Rommel foi um dos ex-alunos do Lucerne Festival Academy convidados de volta à Suíça para participar de um Concerto em Memória de Pierre Boulez. Como bolsista do Tanglewood Music Center (EUA), aperfeiçoou-se em música de câmara com membros dos quartetos de cordas American, Cleveland, Concord, Juilliard e Muir e foi Spalla da Orquestra do Tanglewood Music Center sob regência de Bernard Haitink e James Levine. Ainda nos EUA, foi membro da Chicago Civic Orchestra, atuou como músico convidado das Orquestras Sinfônicas de Boston (em Tanglewood) e Chicago (na série MusicNOW de música contemporânea), colaborou com o grupo Fifth House Ensemble e fez parte do corpo docente da North Park University.

 

Natural de Maria da Fé - MG, Rommel iniciou seus estudos musicais no Conservatório Estadual de Pouso Alegre e obteve o Bacharelado em Violino pelo Instituto de Artes da Unesp em São Paulo como aluno de Ayrton Pinto. Recebeu também orientação dos violinistas Alberto Jaffé, Almita Vamos, Andrés Cárdenes, Jerrold Rubenstein, Joseph Silverstein, Kurt Sassmanshaus, Leon Spierer, Leonard Felberg, Malcolm Lowe, Marcello Guerchfeld, Pamela Frank, Ruggiero Ricci, Sidney Harth e Viktor Danchenko.

TRIO SOLISTAS

PABLO

DE LEÓN 

Violino

HORACIO

SCHAEFER 

Viola

ROBERTO

RING

Violoncelo

Comemorando em 2019 dezoito anos de atividades, este time de peso do cenário da música clássica brasileira reúne o violinista Pablo de León (spalla da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), o violista Horácio Schaefer (chefe do naipe das violas do Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e o violoncelista Roberto Ring.

 

Juntos desde 2001, o grupo já ultrapassou a incrível marca de mais de 600 concertos realizados no Brasil. Além disso o grupo representou a Brasil em concertos na Argentina e Chile, em concertos prestigiosos na Série Llao Llao no Alvear em Buenos Aires, no Festival Internacional de Ushuaia e na Fundação Beethoven de Santiago Já receberam convidados do mundo todo, entre eles os clarinetistas Antony Pay (Inglaterra), Michel Lethiec e Romain Guyot (França); os violinistas Ilya Gringolts (Rússia), Régis Pasquier (França), Hagai Shaham e Roy Shiloah (Israel), Isabelle van Keulen (Holanda), Cármelo de los Santos e Cláudio Cruz (Brasil), e os pianistas Roglit Ishay (Israel), Emmanuel Strosser, Cristian Budu (Brasil) entre outros.

 

Juntamente com o pianista francês Emmanuel Strosser gravaram arranjo de 1805 feito por Ferdinand Ries da Sinfonia Eroica de Beethoven.

SCHUBERT &

SCHUMANN

Irineu Franco Perpétuo é um tradutor e jornalista brasileiro especializado em literatura russa e em música clássica, sendo um dos principais colaboradores da Revista Concerto, além de importante entusiasta da literatura russa e da cultura musical clássica da cena paulistana.

POR

IRINEU FRANCO PERPETUO

Com um catálogo de quase mil obras em 31 anos de vida, o vienense Franz Schubert (1797-1828) dominava a arte de reutilizar temas que se haviam mostrado especialmente eficientes. Algumas de suas obras instrumentais mais célebres – o Quarteto A Morte e a Donzela, o Quinteto A Truta, a Fantasia Wanderer – estão baseadas em melodias de suas canções. E, no caso do Quarteto No 13, em lá menor, D. 804, Op. 29, estreado em 1824 pelo quarteto de cordas do violinista Ignaz Schuppanzigh (que fez a primeira audição de várias obras de Beethoven), a inspiração veio da música que ele compôs para uma peça teatral.

Rosamunde contava a história de uma princesa que foi criada como pastora, e tenta retomar o trono. De autoria de Helmina von Chézy (1783-1956), o texto original está perdido, mas não a trilha sonora que Schubert escreveu para a peça, que estreou em Viena, em 1823. O compositor gostou tanto do tema que escreveu para o terceiro entreato de Rosamunde que o empregou como base do segundo movimento do Quarteto D. 804 – e, mais tarde, voltaria a utilizá-lo no Improviso Op. 142 No 3, para piano solo.

Não seria a única citação deste quarteto de cordas. Prolífico compositor de lied (a canção alemã), Schubert faria ainda aparecer, no terceiro movimento da obra, um trecho de Die Götter Griechenlands (Os Deuses da Grécia), canção com texto de ninguém menos do que Friedrich Schiller (1759-1805), o célebre dramaturgo e poeta, autor dos versos do final da Nona Sinfonia, de Beethoven. Schubert, aqui, cita o trecho da canção que pergunta: Schöne Welt, wo bist du? (Belo mundo, onde você está?) Se a questão é melancólica, a resposta parece se encerrar no próprio quarteto, materialização de um belo mundo sonoro.

Com uma produção de tamanho e escopo superiores ao que seus contemporâneos conseguiam absorver, Schubert só foi sendo devidamente avaliado e compreendido pela posteridade, ao longo do século XIX.

 

Um dos agentes decisivos da recepção de sua obra foi Robert Schumann (1810-1856), igualmente apaixonado por música e literatura, que se empenhou em divulgar a produção schubertiana.

Casado com uma das maiores pianistas de todos os tempos, Clara, Schumann demorou para adquirir confiança para compor para um meio que não fosse o teclado. Intimidado (como todos compositores de seu tempo) pela grandeza dos quartetos de cordas de Beethoven, estudou muito antes de ter coragem de escrever obras do gênero. Seus quartetos foram três, e saíram todos de uma vez: no verão de 1842.

O terceiro e último da série, na tonalidade de lá maior, é considerado o mais ambicioso e audacioso da trinca, e mostram tanto as influências sofridas pelo compositor, como as características próprias de sua linguagem. Estudiosos costumam achar que o quarteto já começa com um tema musical que faz alusão a Clara (uma das muitas declarações de amor à esposa que perpassam a produção de Schumann), enquanto o Assai agitato teria um tratamento schubertiano. Já o terceiro movimento, Adagio molto, soa inspirado por algumas passagens lentas dos quartetos de Beethoven que são grandes hinos contemplativos, almejando o sublime. E o final, Allegro molto vivace, parece remeter às danças que tão caracteristicamente colorem a obra pianística de Schumann.

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