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Stravinsky Produções Culturais  |  São Paulo • SP  |  Brasil

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CONCERTOS 2019

FRANZ SCHUBERT

Quarteto Rosamunde: quarteto de cordas, nº 13 em lá menor, D. 804, Op. 29

Allegro ma non troppo

Andante

Menuetto – Allegretto – Trio

Allegro moderato


 

ROBERT SCHUMANN 

Quarteto de cordas,  nº 3, Op. 41

Andante espressivo - Allegro molto moderato

Assai agitato

Adagio molto

Finale. Allegro molto vivace - Quasi Trio

Irineu Franco Perpétuo é um tradutor e jornalista brasileiro especializado em literatura russa e em música clássica, sendo um dos principais colaboradores da Revista Concerto, além de importante entusiasta da literatura russa e da cultura musical clássica da cena paulistana.

POR

IRINEU FRANCO PERPETUO

Com um catálogo de quase mil obras em 31 anos de vida, o vienense Franz Schubert (1797-1828) dominava a arte de reutilizar temas que se haviam mostrado especialmente eficientes. Algumas de suas obras instrumentais mais célebres – o Quarteto A Morte e a Donzela, o Quinteto A Truta, a Fantasia Wanderer – estão baseadas em melodias de suas canções. E, no caso do Quarteto No 13, em lá menor, D. 804, Op. 29, estreado em 1824 pelo quarteto de cordas do violinista Ignaz Schuppanzigh (que fez a primeira audição de várias obras de Beethoven), a inspiração veio da música que ele compôs para uma peça teatral.

Rosamunde contava a história de uma princesa que foi criada como pastora, e tenta retomar o trono. De autoria de Helmina von Chézy (1783-1956), o texto original está perdido, mas não a trilha sonora que Schubert escreveu para a peça, que estreou em Viena, em 1823. O compositor gostou tanto do tema que escreveu para o terceiro entreato de Rosamunde que o empregou como base do segundo movimento do Quarteto D. 804 – e, mais tarde, voltaria a utilizá-lo no Improviso Op. 142 No 3, para piano solo.

Não seria a única citação deste quarteto de cordas. Prolífico compositor de lied (a canção alemã), Schubert faria ainda aparecer, no terceiro movimento da obra, um trecho de Die Götter Griechenlands (Os Deuses da Grécia), canção com texto de ninguém menos do que Friedrich Schiller (1759-1805), o célebre dramaturgo e poeta, autor dos versos do final da Nona Sinfonia, de Beethoven. Schubert, aqui, cita o trecho da canção que pergunta: Schöne Welt, wo bist du? (Belo mundo, onde você está?) Se a questão é melancólica, a resposta parece se encerrar no próprio quarteto, materialização de um belo mundo sonoro.

Com uma produção de tamanho e escopo superiores ao que seus contemporâneos conseguiam absorver, Schubert só foi sendo devidamente avaliado e compreendido pela posteridade, ao longo do século XIX.

 

Um dos agentes decisivos da recepção de sua obra foi Robert Schumann (1810-1856), igualmente apaixonado por música e literatura, que se empenhou em divulgar a produção schubertiana.

Casado com uma das maiores pianistas de todos os tempos, Clara, Schumann demorou para adquirir confiança para compor para um meio que não fosse o teclado. Intimidado (como todos compositores de seu tempo) pela grandeza dos quartetos de cordas de Beethoven, estudou muito antes de ter coragem de escrever obras do gênero. Seus quartetos foram três, e saíram todos de uma vez: no verão de 1842.

O terceiro e último da série, na tonalidade de lá maior, é considerado o mais ambicioso e audacioso da trinca, e mostram tanto as influências sofridas pelo compositor, como as características próprias de sua linguagem. Estudiosos costumam achar que o quarteto já começa com um tema musical que faz alusão a Clara (uma das muitas declarações de amor à esposa que perpassam a produção de Schumann), enquanto o Assai agitato teria um tratamento schubertiano. Já o terceiro movimento, Adagio molto, soa inspirado por algumas passagens lentas dos quartetos de Beethoven que são grandes hinos contemplativos, almejando o sublime. E o final, Allegro molto vivace, parece remeter às danças que tão caracteristicamente colorem a obra pianística de Schumann.