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Stravinsky Produções Culturais  |  São Paulo • SP  |  Brasil

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CONCERTOS 2019

Irineu Franco Perpétuo é um tradutor e jornalista brasileiro especializado em literatura russa e em música clássica, sendo um dos principais colaboradores da Revista Concerto, além de importante entusiasta da literatura russa e da cultura musical clássica da cena paulistana.

O PROGRAMA

GABRIEL FAURÉ

Quarteto com piano Op. 15 , em dó menor

ANTONÍN DVORÁK

Quarteto com piano Op. 87, em mi bemol maior

POR

IRINEU FRANCO PERPETUO

 

Nascidas em solo germânico, no final do século XVIII, as grandes formas da música instrumental foram logo apropriadas por compositores das mais diversas nacionalidades, que impregnaram-nas das cores, ritmos e sabores de suas culturas. Foi exatamente o que aconteceu com o quarteto com piano. Essa combinação de um instrumento de tecla e três de cordas teve um verdadeiro florescimento na segunda metade do século XIX, quando criadores de diversas procedências utilizaram-na para manifestar as peculiaridaes de suas terras com rara maestria.

 

Gabriel Fauré (1845-1924) e Antonín Dvorák (1841-1904) nasceram com apenas quatro anos de diferença, a 1.200 quilômetros de distância, ambos em cidades pequenas. O primeiro em Pamiers, na Occitânia, região do sudoeste da França; o segundo, em Nehalozeves, pertinho de Praga, atual capital da República Tcheca. Se existe um “caráter nacional” de cada país, ele parece perfeitamente manifestado nessas obras compostas com uma década de diferença.

 

O quarteto de Fauré, de 1879, exala o aroma que costumamos associar aos melhores perfumes franceses (ou ao buquê dos célebres vinhos da Occitânia), enquanto o de Dvórak, de 1889, com seu caráter dançante, nos traz o sabor do folclore da Boêmia e vizinhanças.

 

Organista, professor e diretor do Conservatório de Paris (um de seus alunos foi um certo Maurice Ravel), Fauré deixou dez significativas obras de câmara, incluindo três quartetos com piano. O primeiro deles, que ouviremos hoje, começou a ser escrito em 1876 – quando ele frequentava o salão da célebre contralto Pauline Viardot, travando conhecimento com celebridades literárias como Flaubert, Turguêniev, Georges Sand e Renan, e metendo-se em um malogrado noivado com a filha de Viardot, Marianne.

 

Embora esteja numa tonalidade considerada “dramática” – dó menor –, e tenha sido escrito em um momento de frustração amorosa, o quarteto não é um documento de trevas espiriruais, guardando as melhores qualidades da música de Fauré: sobriedade, elegância e lirismo, com melodias fascinantes. Seu segundo movimento, com as cordas em pizzicato – ou seja, beliscadas, tocadas sem o arco – parece prefigurar as sutilezas dos scherzos dos quartetos de cordas de Ravel e Debussy. O último movimento foi o que mais lhe deu trabalho: o compositor reescreveu-o por inteiro em 1883, três anos após a estreia, até chegar à forma atual.

 

Dvorák, por seu turno, ascendeu de filho de açougueiro de cidade pequena a compositor nacional tcheco e figura central na música dos Estados Unidos, como professor contratado a peso de ouro pelo Conservatório Nacional de Música, de Nova York. Seu Quarteto em mi bemol maior, Op. 87 foi escrito quando ele ainda se encontrava em solo europeu, em 1889. Enquanto o de Fauré teve uma gestação longa, esse aqui revelou-se breve: esboçado em três dias, foi concluído em um mês.

Em carta ao amigo Alois Göbl, o compositor revelou-se surpreso com a velocidade de seu trabalho: “Está correndo com inesperada facilidade, e as melodias estão me ocorrendo aos montes. Graças a Deus!”

Na época, graças ao apoio de seu amigo Johannes Brahms (1833-1897), Dvorák já era um compositor de reputação internacional. Desde o primeiro movimento, os instrumentos de cordas parecem convidados a soarem como rabecas de um baile de aldeia. Nem tudo é apenas dança e alegria nessa obra, contudo: no segundo movimento, Lento, Dvorák dá vazão a um lirismo cantável e pungente, que nos ajuda a lembrar que ele foi também um rematado compositor de ópera.

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