FAURÉ DVORÁK

Irineu Franco Perpétuo é um tradutor e jornalista brasileiro especializado em literatura russa e em música clássica, sendo um dos principais colaboradores da Revista Concerto, além de importante entusiasta da literatura russa e da cultura musical clássica da cena paulistana.

O PROGRAMA

GABRIEL FAURÉ

Quarteto com piano Op. 15 , em dó menor

ANTONÍN DVORÁK

Quarteto com piano Op. 87, em mi bemol maior

POR

IRINEU FRANCO PERPETUO

 

Nascidas em solo germânico, no final do século XVIII, as grandes formas da música instrumental foram logo apropriadas por compositores das mais diversas nacionalidades, que impregnaram-nas das cores, ritmos e sabores de suas culturas. Foi exatamente o que aconteceu com o quarteto com piano. Essa combinação de um instrumento de tecla e três de cordas teve um verdadeiro florescimento na segunda metade do século XIX, quando criadores de diversas procedências utilizaram-na para manifestar as peculiaridaes de suas terras com rara maestria.

 

Gabriel Fauré (1845-1924) e Antonín Dvorák (1841-1904) nasceram com apenas quatro anos de diferença, a 1.200 quilômetros de distância, ambos em cidades pequenas. O primeiro em Pamiers, na Occitânia, região do sudoeste da França; o segundo, em Nehalozeves, pertinho de Praga, atual capital da República Tcheca. Se existe um “caráter nacional” de cada país, ele parece perfeitamente manifestado nessas obras compostas com uma década de diferença.

 

O quarteto de Fauré, de 1879, exala o aroma que costumamos associar aos melhores perfumes franceses (ou ao buquê dos célebres vinhos da Occitânia), enquanto o de Dvórak, de 1889, com seu caráter dançante, nos traz o sabor do folclore da Boêmia e vizinhanças.

 

Organista, professor e diretor do Conservatório de Paris (um de seus alunos foi um certo Maurice Ravel), Fauré deixou dez significativas obras de câmara, incluindo três quartetos com piano. O primeiro deles, que ouviremos hoje, começou a ser escrito em 1876 – quando ele frequentava o salão da célebre contralto Pauline Viardot, travando conhecimento com celebridades literárias como Flaubert, Turguêniev, Georges Sand e Renan, e metendo-se em um malogrado noivado com a filha de Viardot, Marianne.

 

Embora esteja numa tonalidade considerada “dramática” – dó menor –, e tenha sido escrito em um momento de frustração amorosa, o quarteto não é um documento de trevas espiriruais, guardando as melhores qualidades da música de Fauré: sobriedade, elegância e lirismo, com melodias fascinantes. Seu segundo movimento, com as cordas em pizzicato – ou seja, beliscadas, tocadas sem o arco – parece prefigurar as sutilezas dos scherzos dos quartetos de cordas de Ravel e Debussy. O último movimento foi o que mais lhe deu trabalho: o compositor reescreveu-o por inteiro em 1883, três anos após a estreia, até chegar à forma atual.

 

Dvorák, por seu turno, ascendeu de filho de açougueiro de cidade pequena a compositor nacional tcheco e figura central na música dos Estados Unidos, como professor contratado a peso de ouro pelo Conservatório Nacional de Música, de Nova York. Seu Quarteto em mi bemol maior, Op. 87 foi escrito quando ele ainda se encontrava em solo europeu, em 1889. Enquanto o de Fauré teve uma gestação longa, esse aqui revelou-se breve: esboçado em três dias, foi concluído em um mês.

Em carta ao amigo Alois Göbl, o compositor revelou-se surpreso com a velocidade de seu trabalho: “Está correndo com inesperada facilidade, e as melodias estão me ocorrendo aos montes. Graças a Deus!”

Na época, graças ao apoio de seu amigo Johannes Brahms (1833-1897), Dvorák já era um compositor de reputação internacional. Desde o primeiro movimento, os instrumentos de cordas parecem convidados a soarem como rabecas de um baile de aldeia. Nem tudo é apenas dança e alegria nessa obra, contudo: no segundo movimento, Lento, Dvorák dá vazão a um lirismo cantável e pungente, que nos ajuda a lembrar que ele foi também um rematado compositor de ópera.

AMERICANA

22

MAIO

20:00

Q U A

Teatro Municipal

Lulu Benencase

PIRACICABA

23

MAIO

20:00

Q U I

Teatro do Engenho

Erotídes de Campos

CAMPINAS

24

MAIO

20:00

S E X

Teatro Municipal

Castro Mendes

STABARBARA DOESTE

25

MAIO

20:00

SAB

Teatro Municipal

Manoel Lyra

LIMEIRA

26

MAIO

19:00

DOM

Teatro Vitoria

ROGLIT

ISHAY

Nesta temporada o trio receberá como convidada Roglit Ishay que já se apresentou como solista com as orquestras Dresdner Staatskapelle, Dresdner Philharmonie, Scottish BBC e Nationaltheater Orchester Mannheim, sob regência de maestros como Giuseppe Sinopoli, Herbert Blomstedt, Lothar Zagrosek, Martyn Brabbins, Jun Märkl, Ilan Volkov e Martin Fischer-Dieskau.

 

Ela também Participou do Festival de Música de Marlboro, do Berliner, do Dresdner Festspiele e do Festival de Moritzburg.

É membro do Dresden Piano Trio (com Peter Bruns e Kai Vogler) e do Israel Piano Trio (com Menahem Breuer e Hillel Zori), grupos que se apresentaram em vários países da Europa, Israel, Turquia, Rússia e América do Sul.

 

Suas gravações mais recentes incluem gravações solo e gravações em duo ao lado de artistas como o violoncelista Peter Bruns, o clarinetista Ron Chen Zion, a violista Tatjana Masurenko e os violinistas Ariadne Daskalakis, Mira Wang e Kai Vogler – discos lançados por selos de prestígio como Hänssler, Hänssler Profile, Opus 111/Helikon, Berlin Classics, Bis, Tudor, Kontrapunkt e Carpe Diem.

 

Desde 2011, Roglit Ishay é professora de música de câmara na Musikhochschule Freiburg. Ministra masterclasses em toda a Europa e Israel. Desde 2006 é diretora artística da série “Musica Mundi Frankfurt”, na Alte Oper Frankfurt. Roglit Ishay estudou piano com Madeleine e Walter Aufhäuser, Veronica Jochum e Richard Goode e filosofia na Universidade de Tel-Aviv.

SOLISTAS

Comemorando em 2019 dezoito anos de atividades, este time de peso do cenário da música clássica brasileira reúne o violinista Pablo de León (spalla da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), o violista Horácio Schaefer (chefe do naipe das violas do Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e o violoncelista Roberto Ring.

 

Juntos desde 2001, o grupo já ultrapassou a incrível marca de mais de 600 concertos realizados no Brasil. Além disso o grupo representou a Brasil em concertos na Argentina e Chile, em concertos prestigiosos na Série Llao Llao no Alvear em Buenos Aires, no Festival Internacional de Ushuaia e na Fundação Beethoven de Santiago .

 

Já receberam convidados do mundo todo, entre eles os clarinetistas Antony Pay (Inglaterra), Michel Lethiec e Romain Guyot (França); os violinistas Ilya Gringolts (Rússia), Régis Pasquier (França), Hagai Shaham e Roy Shiloah (Israel), Isabelle van Keulen (Holanda), Cármelo de los Santos e Cláudio Cruz (Brasil), e os pianistas Roglit Ishay (Israel), Emmanuel Strosser, Cristian Budu (Brasil) entre outros. Juntamente com o pianista francês Emmanuel Strosser gravaram arranjo de 1805 feito por Ferdinand Ries da Sinfonia Eroica de Beethoven.

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